Amados amigos do meu coração. Quando olho para trás, para a vida simples que levei como José, o carpinteiro, meu coração se enche de uma profunda e terna gratidão.
Fui privilegiado por estar presente no próprio início da Dispensação Cristã, e lembro-me de que o amado Mestre Jesus foi colocado em meus braços logo ao nascer, antes mesmo de sua mãe o receber. Acariciei suavemente a penugem de sua cabecinha de bebê e olhei para aqueles grandes olhos líquidos, segurando aquelas mãos macias como pétalas que, um dia, chamariam os mortos de volta à vida e fariam os cegos enxergarem. Naquela hora, parecia não haver muito ali, exceto a nossa fé, para nos levar adiante na esperança de estabelecer um credo que daria o sopro de vida a milhões.
Caminhei a longa e árdua jornada para o Egito ao lado daquele bebê e de minha linda noiva, Maria. Nossa vida era de imensa simplicidade. Ganhei nosso escasso pão trabalhando humildemente como carpinteiro, e com grande amor e ternura de pai, fui eu quem fez o primeiro par de sandálias para os pezinhos de Jesus. Mais tarde, como carpinteiro, guiei suas mãos no ofício, garantindo que nenhum jugo que fizéssemos machucasse um animal de carga e que nenhuma roda de fiar tivesse farpas.
Eu costumava ouvir, em silêncio, enquanto minha bela Maria falava ao nosso filho sobre a devoção que cada homem deveria sentir pelas almas dos outros, e foi nessa vida simples que aprendi a verdadeira ternura do Eterno. Quem poderia imaginar, naqueles dias de pobreza, que a partir da nossa família inocente e humilde da Galileia seria construída uma fundação, ao redor de alguns pescadores, que sustentaria uma religião inteira por dois mil anos?
Minha missão também envolveu preparar o caminho em silêncio. Antes de partir deste mundo, sabendo que meu tempo estava se esgotando, viajei para encontrar e alertar aqueles homens que se tornariam a força de Jesus nos dias que viriam, os seus discípulos. Quando meu tempo na Terra finalmente se concluiu, minha passagem foi uma experiência de extrema paz, feita nos braços e na presença amorosa de Jesus e Maria. Eles não permitiram que o luto me prendesse à Terra, o que tornou minha partida tão serena que fiz um voto à vida: prometi ajudar todo homem, mulher e criança a ter uma transição igualmente pacífica e digna, tornando-me assim o que o mundo passou a chamar de “o patrono de uma passagem feliz”. Hoje, em minha veste de luz, uso tudo o que aprendi sobre o amor divino, a humildade e a liberdade naquela encarnação para estabelecer uma nova Era de Ouro e trazer a verdadeira liberdade a toda a humanidade.
Eu vos deixo hoje não apenas a memória de um passado simples, mas a promessa de um futuro glorioso. Que a Chama Violeta transmute agora cada fardo em vossas mãos em asas de liberdade, e que a paz que selou minha partida como José envolva cada um de vós, hoje e sempre.
Eu Sou a Ressurreição e a Vida da vossa Vitória agora!
EU SOU, vosso irmão e amigo, Saint Germain.



